Entrevista com Sua Excelência o Ministro Mendes Ribeiro Filho
Destaques
Ter, 17 de Janeiro de 2012 10:43


1-) Ao assumir o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – MAPA, Vossa Excelência afirmou que o primeiro desafio seria preparar uma ampla mudança na estrutura do órgão para melhorar a gestão e recuperar o peso político da pasta. Como anda este trabalho?

R – Determinamos a nossa equipe Coordenada pelo Secretário Executivo José Carlos Vaz, que reestrutura a adequação do Ministério para melhor atender as demandas da sociedade, precisamos estar no tempo do produtor, antecipar as decisões. O ministério precisa recuperar sua capacidade de investimento, sintonizar suas demandas com sua importância frente ao Agronegócio Brasileiro. Precisamos trabalhar na Gestão do MAPA, para melhorar a auto-estima dos funcionários, a política agrícola precisa ser pensativa, antecipada, plurianual. A construção de um programa de sustentabilidade visando conservações do solo e água, florestal, implementações de novas tecnologias. Destacar  e implementar este Moderno Programa A.B.C (Agricultura de Baixo Carbono), que é a modernização das boas práticas agrícolas sustentáveis, amparado por crédito e política do MAPA.

2-) Desde a extinção da Comissão Coordenadora da Criação do Cavalo Nacional – CCCN – o turfe reclama a criação de uma estrutura específica para cuidar de assuntos relacionados à atividade, reunindo em uma mesma Divisão a fiscalização dos hipódromos, corridas e apostas; o controle genealógico; o fomento a criação do PSI; e as questões sanitárias e de transito. Existe espaço nesta mudança estrutural para a criação de uma divisão que contemple o turfe?

R – Tomei conhecimento que esta é uma reivindicação do turfe apoiada pela Câmara Setorial de Equideocultura do MAPA. Nossa equipe está com a responsabilidade de reordenar e potencializar a estrutura do MAPA, para uma avaliação técnica com carinho a reivindicação do turfe.

3-) Ainda no aspecto de sanidade animal, os eqüídeos estão em um departamento que reúne também caprinos e mel. A Câmara Setorial de Equideocultura já solicitou o desmembramento da divisão possibilitando um melhor atendimento das questões específicas dos eqüídeos. Como anda este assunto?

R – A área técnica, responsável pela sanidade dos eqüídeos, deu parecer favorável ao pleito. Este assunto também está sendo examinado.

4-) Em seus pronunciamentos foi dito que o MAPA teve seu prestígio abalado ao perder atribuições como o desenvolvimento agrário e a pesca. Já se falou na desvinculação da Conab e da Embrapa do Ministério. O Ministro Stephanes cogitou em abrir mão da fiscalização das corridas, hipódromos e apostas em cavalos de corrida para a Caixa Federal. Passa pelos seus projetos desvincular o turfe e o fomento a criação do cavalo do MAPA?

R – Não. As apostas em corridas de cavalo somente são permitidas no Brasil para fomentar a criação do cavalo, não só o de corrida. O meu compromisso é com a produção; e o fomento a criação do cavalo passa pelo Ministério.

6-) O reconhecimento do cavalo de corrida nacional é inegável. Há mercados, como a China abrindo-se e que certamente trarão maiores oportunidades ao criador brasileiro. O entrave normalmente é burocrático e sanitário. Quais as medidas que o MAPA pretende tomar no sentido de desobstruir estes gargalos e tratar de forma diferenciada o cavalo de competição e de exportação?

R – É outro assunto que está na Agenda Estratégica da Câmara de Equideocultura e que está sendo debatido com a Secretaria de Defesa Agropecuária e a Secretaria de Relações Internacionais do Agronegócio.

7) A Câmara de Equideocultura tem sido o fórum onde as diversas raças podem desenvolver ações e pontuar necessidades com boa interlocução com o Governo Federal. Como Vossa Excelência avalia o papel da Câmara de Equideocultura?

R – As câmaras setoriais atuam como foro consultivo na identificação de oportunidades ao desenvolvimento das cadeias produtivas, articulando agentes públicos e privados, definindo ações prioritárias de interesse comum, visando à atuação sistêmica e integrada dos diferentes segmentos produtivos. Com a da Equideocultura não é diferente. Coincidentemente é hoje presidida pelo Flávio Obino Filho que conheço há três décadas. Advogado de expressão, meu colega por mais de vinte anos no Conselho do Grêmio, trata as questões do turfe com paixão, com seriedade e conhecimento. Certamente será um grande parceiro na construção da política do cavalo.

8) A chamada Lei do Turfe é considerada por muitos como atrasada, impedindo a profissionalização das atividades ligadas às corridas de cavalo. O MAPA poderia apoiar eventual projeto de lei de reforma desta Lei Federal?

R – O MAPA está apoiando a adequação da lei que prevê a incidência de taxas sobre as apostas. Acreditamos que a alteração possa se viabilizar ainda este ano, permitindo que os Jockeys regularizem a sua situação perante o Ministério. Também estamos apoiando a imediata alteração do Código Nacional de Corridas e aguardamos uma proposta de alteração da Lei do Turfe pela Câmara de Equideocultura para que possamos examiná-la sob a óptica do Governo.

9) Vossa Excelência sendo oriundo do Rio Grande do Sul, estado que mantém 45% do rebanho de Puro Sangue Inglês, tem alguma ligação com o cavalo de corrida?

R – Tenho grandes amigos como o Carlos Araújo, o Flávio Obino (Pai) e o nosso Secretário de Política Agrícola do MAPA Caio Rocha que são homens do turfe e sempre acompanhei a atividade por eles. Assisti a vários GP’s Bento Gonçalves e vibrei quando o Mata Leão, cavalo de um sobrinho, venceu a prova máxima dos gaúchos. Sei que o legado deixado pelo Ministro Luiz Fernando Cirne Lima, gaúcho como eu, para o turfe na sua passagem pelo MAPA é reconhecido por todos. O turfe e principalmente os produtores de cavalo de corrida podem contar com o Governo Dilma e com este Ministro.

 

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